GRÊMIO ARENA



Contexto

Em meados da década de 2000, surgiu a ideia, dentro do Grêmio, de se construir um novo estádio para sediar as partidas doTricolor. A ideia foi levada a cabo em 2006, com o começo de estudos de viabilização da obra. O objetivo era de fazer um estádio autossustentável, ao contrário do atual Olímpico Monumental. Em maio de 2006, foi formulado o plano diretor patrimonial do Grêmio, que, justamente, encaminhava o projeto. A partir daí, se iniciou uma discussão a respeito do local da construção, isto é, na área atual do Olímpico ou em um novo lugar. Em novembro de 2006, com vistas a dirimir esta dúvida, foi feito um estudo de pré-viabilidade para a construção de um novo estádio, com a empresa holandesa Amsterdam Advisory Arena. A conclusão foi de que o estádio Olímpico não atenderia às expectativas do clube, devido a alto custo de manutenção, idade da construção, baixo padrão de conforto, segurança e serviços, estacionamentos insuficientes e localização em região muito habitada. Esse conjunto de fatores levou o clube a optar pela construção de uma arena, com a ajuda financeira de parceiros, com o padrão exigido pela FIFA.

Em 2007, uma carta para interessados foi divulgada, visando atrair empresas para o projeto. Como únicos interessados com propostas analisadas pela direção estavam as construtoras OAS e Odebrecht. A primeira propunha um consórcio com a TBZ, administradora de estádios, com 65% da renda do estádio indo para o Grêmio e 35% para o consórcio, durante vinte anos. A segunda previa que metade os lucros iriam para cada lado. Em março de 2008, a proposta da OAS foi a escolhida; a construtora rompera a parceria com a TBZ algum tempo antes. As garantias para a construção seriam dadas pelo banco Efisa, o que depois foi mudado para o Banco Santander. Para a construção da Arena, a OAS ainda contaria com quatro parceiros, excluindo a TBZ, que acabou falindo: Veirano Advogados, Banco Santander, Plarq Arquitetura e Gismarket. Em 18 de dezembro de 2008, a OAS assinou contrato com o Grêmio para a construção da arena.
Processo para a construção

Com vista da impossibilidade de se construir um local atrativo financeiramente na área do estádio Olímpico, um terreno no bairro Humaitá, em Porto Alegre, foi escolhido como o local para se erguer a Arena. Em 17 de dezembro de 2008, foi aprovado no Conselho Deliberativo do Grêmio o contrato com a OAS e formalmente o processo se iniciou.


Para poder continuar com o projeto, foi criada uma comissão especial, a Grêmio Empreendimentos. Ela foi formada originalmente por sete conselheiros do clube, Adalberto Preis (presidente da comissão), Paulo Odone, Alexandre Grendene, Teodoro Pedroti, Saul Berdichevski, Mauro Knijinik e Pedro Ruas; em setembro de 2010, os integrantes eram Adalberto Preis, Evandro Krebs, Geraldo Nogueira da Gama, Mauro Knijnik, Pedro Ruas, Saul Berdichevski e Teodoro Pedrotti . Apenas em 24 de agosto de 2010 ela foi reconhecida como empresa pela Junta Comercial do Rio Grande do Sul, passando a existir de direito. Ela visa regulamentar e continuar o processo já iniciado. Entretanto, Paulo Odone se retirou do grupo, em fevereiro de 2009, dizendo que tinha "sido saído" e que "eles (outros membros da GE) tomaram conta e deram o golpe". Segundo Odone, enquanto ainda era presidente do clube, “A Arena será o melhor estádio do mundo”, já que supera os padrões FIFA e UEFA cinco estrelas.

O projeto foi aprovado em 29 de dezembro de 2008 na Câmara de Vereadores de Porto Alegre para se adequar ao plano diretor da cidade.20 Em outubro de 2009, a área da Arena, comprada por 50 milhões de reais,11 foi demarcada. A construção, contudo, só começará após a liberação da prefeitura municipal.21

Segundo Adalberto Preis, presidente da Grêmio Empreendimentos, o financiamento da Arena será feito com 55% de capital da OAS e 45% financiado, com pagamento previsto para sete anos. Uma empresa gestora, cuja principal acionista será o Grêmio, cuidará das receitas geradas pela Arena (exceto as advindas das placas de publicidade)durante o pagamento do financiamento; a OAS, que terá a menor parte, terá co-gestão dela. Durante os sete anos do financiamento, o clube receberá oito milhões de reais reajustados ao ano. Após os sete anos, o clube receberá dezesseis milhões de reais por ano. Ainda conforme Preis, todo o resto da movimentação financeira terá o comando do Grêmio22

Os sócios patrimoniais continuarão com o direito de assistir aos jogos na Arena, nos moldes do que é realizado no estádio Olímpico, conforme informações do jornal Zero Horade setembro de 2010.10 Contudo, o repórter Diogo Olivier, divulgara em dezembro de 2009 que os associados, a princípio, teriam de pagar ingresso como todos os outros torcedores, além da mensalidade cobrada.23 Contudo, Adalberto Preis afirmou que "Hoje em dia o sócio paga a entrada com a mensalidade, entra no borderô todo o torcedor que entra no Olímpico, e o Grêmio paga essa entrada. Por que na Arena não pode continuar assim? O clube aqui paga para ele mesmo, lá o clube será compensado pelo que receberá da empresa gestora. Essa é uma questão de articulação, de equilíbrio, que a direção terá que buscar na sua política dos sócios, essa é uma decisão dos órgãos do clube".

Conforme Adalberto Preis, até agosto de 2010 faltava apenas a licença de instalação da prefeitura municipal para que a obra se iniciasse. O presidente da Grêmio Empreendimentos estimou que a obra começaria naquele mesmo mês. Preis também contrapôs o secretário extraordinário da Copa do Rio Grande do Sul, dizendo que a Arena não estaria "entregue às traças".24 Mesmo com a previsão de Preis, a lançamento oficial das obras do novo estádio só ocorreu em 20 de setembro. Nesse dia, uma carreata foi realizada, do estádio Olímpico até o terreno da arena.
Início das obras

Em outubro de 2009, tapumes foram instalados para cercar a região. Em 13 de maio de 2010, um mastro com uma bandeira do Grêmio havia sido inaugurado no terreno.28

O lançamento oficial das obras ocorreu em 20 de setembro de 2010, após uma carreata saída do estádio Olímpico. No mesmo dia, na cerimônia de início da construção, Hugo de León plantou um pedaço de grama do estádio Olímpico no terreno da Arena, após aterrissar em um helicóptero. Posteriormente, o ex-futebolista representou simbolicamente os trabalhos ao apertar o botão de uma máquina e ligá-la.
Protestos por melhores condições de trabalho e mortes

No final de fevereiro de 2011, os cerca de trezentos operários paralisaram suas atividades, protestando por melhores salários, condições de trabalho e moradia, liberação para visitar a família - já que muitos são oriundos do nordeste do país - e um maior tempo de descanso.30

Em 09/03/2011 os funcionários da OAS, que haviam entrado em greve no dia 24/02/2011, em votação, aceitaram a proposta feita pela construtora e concordaram em retomar as obras da Arena.31

Durante a construção do estádio, dois operários foram mortos. O primeiro, José Elias Machado, que era empregado pela OAS, foi atropelado ao atravessar a BR-290, enquanto se dirigia ao alojamento, no dia 2 de outubro de 2011. Depois da morte, outros operários realizaram um protesto por melhores condições de trabalho. A OAS lamentou o ocorrido.32 A segunda morte ocorreu em 23 de janeiro de 2013. Araci da Silva Bernardes, então funcionário da Epplan, que prestava serviços à OAS, foi vítima de uma descarga elétrica enquanto trabalhava na manutenção do sistema de iluminação do estádio.33
Aditivo

Em reunião realizada em 29 de agosto de 2011, o Conselho Deliberativo do Grêmio aprovou um aditivo ao contrato de construção da nova Arena34 , celebrado entre o clube e a empresa OAS. Mais de 200 conselheiros participaram do encontro onde se acordou a ampliação dos lugares da Arena, que passaria de 54 mil para 60,5 mil de capacidade, sendo acrescidos mais R$ 65 milhões a obra, provenientes da receita na comercialização de ingressos nos primeiros sete anos de fundação do estádio.
Obras do entorno

Em 2009, a OAS apresentou à Prefeitura de Porto Alegre um estudo de impacto ambiental da futura construção da Arena. A empreiteira responsabilizou-se pela maior parte das obras do entorno do estádio. Entretanto, em 2012, num termo de compromisso entre as duas instituições, parte das obras foi ignorada e outra parte foi delegada indevidamente à prefeitura. Em 2013, o Ministério Público entrou com ação para pedir anulação do acordo. Posteriormente, em fevereiro de 2014, o Tribunal de Contas do Estado determinou a suspensão de repasses de verbas públicas para obras no entorno da Arena.35 O município investiu um total de R$ 9,7 milhões nessas obras e o ônus do restante das obras previstas é de 160 milhões de reais. O secretário de gestão pública, Urbano Schmitt, afirmou que a verba investida tem origem federal e que, se não fosse utilizada, voltaria à União. Segundo ele, a OAS não pode ser responsabilizada pelos custos, pois não sabia, em 2009, que o viaduto da RS-448 seria construído, argumento contestado.

Estrutura

O estádio tem instalados dois telões, a distância para o gramado é de 10 metros da linha lateral até o primeiro lance de cadeiras, existe fosso, que no futuro poderá ser coberto, a capacidade é de 60.540 pessoas e as arquibancadas tem a inclinação máxima permitida pela FIFA, o que impossibilita futuras ampliações.Todos os lugares são cobertos e com cadeiras (exceto no setor Norte). Há quatro lances de arquibancada: a baixa com cadeiras (inferior), média baixa com poltronas (gold), média alta com camarotes (vip) e a mais alta também com cadeiras (superior). O lance de arquibancadas mais próximo ao campo fica a cerca de 10 metros do gramado, contrastando com os 40,7 do Olímpico Monumental.

A área comercial disponível é de 28.000 m². O Grêmio teve a propriedade da Arena a partir da mudança, mas os direitos de superfície (direito de exploração) serão cedidos à Grêmio Empreendimentos em parceria com a OAS Arenas por um período de 20 anos 38 Haverá 5,6 mil vagas de estacionamento. Também estão previstos escritórios de uso corporativo.18 O clube também terá direito a receber R$7 milhões mais 65% do lucro líquido enquanto o empréstimo do BNDES estiver sendo pago ( primeiros 7 a 8 anos) . Após, até completar 7 anos de contrato , o clube receberá R$14 milhões anuais mais 65% do lucro da supracitada.38 O custo estimado é de R$ 600 milhões, pago pela 55% pelo OAS e 45% por empréstimo junto ao BNDES que será pago pela ARENA, a OAS receberá 35 % do lucro .38

O entorno do estádio sera inteiramente da construtora OAS e terá um complexo residencial com 67,6 mil, 2.130 apartamentos e 2,596 vagas de estacionamento; um centro empresarial com 480 salas em dezenove pavimentos, com estacionamento de 2,492 vagas; um hotel com 180 quartos e 180 vagas no estacionamento; um centro comercial com três pavimentos; um centro de eventos com três pavimentos; .11

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